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Mostras de Cinema

Jogo da Verdade: 

os documentários

de Peter Watkins 

2012

produção: VU

curadoria: Laura Faerman

A mostra “Jogo da Verdade – os documentários de Peter Watkins” exibiu pela primeira vez no Brasil dez filmes documentais do cineasta, crítico e teórico britânico Peter Watkins. O diretor é um dos pioneiros do docudrama, gênero de documentário que apresenta de forma dramática a reconstituição de fatos, utilizando-se de atores para isso.

 

O ciclo de filmes teve entrada gratuita e aconteceu na Caixa Cultural São Paulo.

INTRODUÇÃO

A mostra “Jogo da Verdade –Os documentários de Peter Watkins” propõe um debate, por meio da exibição de filmes documentais, sobre o pensamento do cineasta, crítico e teórico britânico Peter Watkins.

Desde meados dos anos 1960, Watkins tem desenvolvido com seus filmes e métodos de produção uma teoria crítica sobre o papel e a influência da mídia televisiva e o uso do cinema para a constituição de falsas crenças e verdades. Para Watkins, “...na grande maioria dos casos a sociedade se recusa sempre a reconhecer a forma e o processo de difusão e de recepção das produções das MMAV (Mídias de Massa Audiovisuais). O que significa que as formas de linguagem que estruturam as mensagens de filmes ou programas de TV, assim como todos os processos (hierárquicos ou outros) de difusão para o público são completamente ignorados e não são objetos de debate”.

 

Toda a produção de Peter Watkins se divide entre artigos críticos e filmes produzidos para o cinema e a TV. Estes se apresentam como ensaios (na forma de documentários) sobre momentos decisivos da história, trabalhados de forma a colocar o espectador no centro do debate. Isto é, os acontecimentos e personagens históricos são vistos pela ótica dos telejornais e do documento filmado. Assim, cabe ao público pensar e perceber qual poderia ser e se mesmo pode existir uma verdade sobre os fatos. Dessa produção serão exibidos no ciclo “Jogo da Verdade – Os documentários de Peter Watkins” as seguintes obras: “The Diary of an Unknown Soldier” (1959, Inglaterra), “The Forgotten Faces” (1961, Ingla- terra), “Culloden” (1964, Inglaterra), “The War Game” (1965, Inglaterra), “Privilege” (1967, Inglaterra), “The Gladiators” (1969, Suécia), “Punishment Park” (1971, Inglaterra), “Edvard Munch” (1973, Suécia e Escandinávia), “Evening Land” (1977, Dinamarca), “The Freethinker” (1994, Suécia).

Nascido em 1935, Peter Watkins realizou “Culloden”, seu primeiro longa-metragem, em 1964. Nesse trabalho, ele inicia seu projeto de realizar um cinema que colocasse no centro do debate a própria natureza do meio e do gênero, seus modos de produção e seu “contrato com o espectador”: a ideia de que um documentário serve para resumir e exibir uma verdade sobre um determinado fato ou pessoa.

 

Assim, em “Culloden” (sobre uma batalha ocorrida na Escócia em 1776, quando regimentos ingleses massacraram os membros dos clãs escoceses, resultando em 2.500 mortos) Watkins filma com atores amadores ingleses e escoceses, montando assim suas tropas. Muitos eram descendentes diretos dos soldados do século 18. Fazendo uma espécie de trapaça com o tempo, o espectador vê entrevistas com os soldados, como em um jornal televisivo no qual o câmera e o repórter estão no campo de batalha, transmitindo ao mundo uma “verdade”. O recurso criava um eco com as imagens da guerra do Vietnã, e a forma como ela era apresentada ao público televisivo.

Essa pesquisa com uma nova forma, uma documentação ficcional que encontra uma verdade a partir de sua produção (os soldados-descendentes) prossegue em seus projetos seguintes. “The War Game” (1968) é um falso telejornal, que noticia uma guerra entre as tropas ocidentais e soviéticas e faz uso de imagens de arquivo das explosões de Hiroshima e Nagasaki.

O processo se desenvolve, e Watkins passa a criar um outro gênero: documentários sobre o futuro. Neles, mais uma vez atores amadores (com algum tipo de ligação com o que é mostrado) interpretam uma ficção que ao mesmo instante opera como comentário de uma situação do presente. Com “The Gladiators”, filmado durante as revoltas de 1968 na Europa, mostra um mundo no qual, para conter a agressividade do corpo social, os governos decidem criar jogos de gladiadores, do mesmo modo que no Império Romano. Em “Punishment Park” (1970), mais um documentário sobre o futuro – sendo a base do projeto a política repressiva e militarista do governo Richard Nixon –, é mostrada uma colônia criminal na Califórnia, para onde devem ser enviados todos os jovens que são um desafio para a ordem estabelecida.

 

Três anos depois de “Punishment Park”, Peter Watkins mais uma vez retrabalha o gênero, o cinema documental, apresentando mais uma possibilidade. “Edvard Munch” retoma os seus procedimentos básicos: um documentário sobre o passado com um formato do presente e atores amadores ligados ao evento; aqui, a vida do pintor norueguês e seus dramas na moralmente conservadora Escandinávia do início do século 20. Mas o filme é também uma espécie de autobiografia de Watkins, que se identifica com os dramas de Munch, como se tivessem passado os dois pela mesma experiência.

“Jogo da Verdade – Os documentários de Peter Watkins” oferece ao espectador brasileiro um contato privilegiado com um dos mais inventivos e engajados cineastas do século, responsável por criar e formular uma crítica ao universo das imagens que, agora, com as novas tecnologias e modos de circulação das imagens, ganha uma renovada e poderosa força.

2011​

O Cinema contemporâneo

japonês: Nobuhiro Suwa

produção: VU

curadoria: Daniela Castro

"O Cinema contemporâneo japonês: Nobuhiro Suwa" exibiu quatro longas-metragens do diretor independente nascido em Hiroshima, um dos mais aclamados cineastas experimentais da atualidade no Japão.  

Realizada na Caixa Cultural Rio de Janeiro.

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Quay Brothers

2010​

produção: VU

curadoria: Silvia Hayashi

Realizada na Caixa Cultural São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília 

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A mostra Quay Brothers apresenta ao público brasileiro uma retrospectiva de quinze filmes de curta-metragem e dois longas-metragens dirigidos pelos animadores Stephen e Thimothy Quay.

Gêmeos idênticos, Stephen e Thimoty Quay produziram ao longo dos últimos 30 anos uma cultuada obra cinematográfica, baseada na criação de miniaturas filmadas em stop motion.

 

Nascidos em 1947, na Pensilvânia, Estados Unidos, os Quay estudaram ilustração no Philadelphia College of Arts. No início da década de 1970, mudaram-se para a Inglaterra e completaram seus estudos no Royal College of Arts, local onde realizaram seus primeiros filmes de animação. Lá conheceram o produtor Keith Griffiths com quem fundaram uma pequena companhia produtora, o Atelier Koninck, sediada em Londres.

Influenciados pela tradicional escola de animação do Leste Europeu, os Quay são cineastas apaixonados pelo detalhe e pelo controle da cor e da textura que, combinados com um uso muito particular do foco e dos movimentos de câmera, fazem de seus filmes peças únicas e de reconhecimento instantâneo.

Em 1986, realizaram o curta-metragem Street of Crocodiles, um clássico do cinema de animação, considerado pelo cineasta Terry Gilliam um dos dez melhores filmes de animação de todos os tempos. Em 1998, realizaram Institute Benjamenta, seu filme de estréia no longa-metragem “live action”.

 

O trabalho desenvolvido pelos irmãos Quay inclui videoclipes para His Name is Alive, Michael Penn, Sparklehorse, 16 Horsepower e PeterGabriel, contribuindo para o premiado vídeoclipe da canção Sledge hammer e cenários para ópera. Em 1998, foram indicados para o prêmio Tony pelos cenários da peça The Chairs, de Eugene Ionesco,

apresentada na Broadway no mesmo ano.

 

Em 2000, realizaram o premiado curta-metragem In Absentia, em colaboração com o compositor Karlheinz Stockhausen. Em 2003, dirigiram quatro filmes curtos em colaboração com o compositor Steve Martland, para um evento ao vivo realizado no museu Tate Modern, em Londres. The Piano Tuner of Earthquakes, o segundo filme de longa-metragem “live action” dos irmãos Quay, foi lançado em 2005.

Política do Gênero

O Cinema Norte-Americano dos anos 70

A mostra “Política do Gênero – O Cinema Norte-Americano dos Anos 70” propõe uma pesquisa sobre o uso político do cinema de gênero na indústria cinematográfica norte-americana a partir da exibição de 14 filmes – realizados entre o final da década de 1960 e meados dos anos 70 no sistema de produção hollywoodiano. Esse período foi marcado por uma alteração da relação do cidadão com as instâncias oficiais de poder após a radicalização ideológica no país durante os anos da guerra do Vietnã, culminando com a renúncia do presidente Richard Nixon em1974.

 

Neste contexto, os grandes estúdios enfrentam uma crise em seu modelo, o que permite diferentes tentativas de construção de um cinema político usando o gênero (policial, suspense, comédia, drama) para dar conta de um estado emocional de uma nova América. Oscilando entre trabalhos autorais ou francamente industriais, “Política do Gênero” se volta para a realização de obras de cineastas como Alan J. Pakula, Milos Forman, Paul Mazursky e Robert Altman, entre outros, para criar um significativo instantâneo do imaginário político, estético e psicológico de um decisivo instante para a construção de uma linguagem cinematográfica

2010​

produção: VU

curadoria: Laura Faerman

Realizada na Caixa Cultural São Paulo e Rio de Janeiro

O Cinema de Maya Deren

2009

curadoria: Silvia Hayashi, Laura Faerman

produção: VU

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A mostra exibiu a filmografia completa de Maya Deren, uma das mais importantes cineastas da vanguarda norte-americana.

 Ícone do cinema independente americano - cineasta, dançarina, escritora, poetiza, coreógrafa, teórica e fotógrafa - Maya Deren iniciou sua carreira pioneira ao lado de artistas como Marcel Duchamp e Man Ray e fundou o cinema experimental americano, que influenciou toda a cultura cinematográfica do pós-guerra. O trabalho de Maya Deren foi fundamental para toda uma geração de cineastas independentes, como Kenneth Anger, Jonas Mekas, Stan Brakhage e Michael Snow e de artistas contemporâneos, como Cindy Sherman. A cineasta produziu seus trabalhos na contra-corrente de Hollywood, terminando por influenciar a própria Indústria, que incorporou elementos de sua obra na produção de cineastas hoje consagrados, como David Lynch, M. Night Shymalan e Alejandro Jodorowsky.

No programa, exibido na Caixa Cultural Rio de Janeiro (10 a 15 de março e 2009) e na Caixa Cultural São Paulo (08 a 12 de abril e 2009), foram apresentados em 6 curtas-metragens e um documentário de 52 minutos, que representam a totalidade dos filmes realizados por Maya Deren. 

Parceiros 

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Colaboradores

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Laura Faerman é documentarista formada em Cinema pela ECA USP. Seu primeiro longa-metragem, ”Vento na Fronteira” recebeu importantes prêmios internacionais. Em 2014, Laura acompanhou e registrou a Comissão Nacional da Verdade Indígena, que investigou pela primeira vez as violações de direitos cometidas pelo Estado brasileiro contra populações de diferentes etnias, durante a ditadura militar (1964-1985).

A partir dessa pesquisa, co roteirizou, dirigiu e editou a série audiovisual “A Memória Perigosa". Em 2022/23 percorreu a Amazônia Legal pela BR 230, documentando casos de violências contra populações tradicionais (quilombolas, indígenas, camponeses, ribeirinhos, comunidades extrativistas) para o documentário “Fogo! Amazônia

sob Ataque”, em fase de finalização.

Alziro Barbosa é Diretor de Fotografia brasileiro, com Graduação e Mestrado em uma das mais importantes faculdades de Direção de Fotografia do mundo, o Instituto de Cinema Russo - VGIK (1988 a 1994). Sua carreira no Brasil teve início em 1995 e desde então ele se destacou em mais de 100 produções audiovisuais, entre longas-metragens ficcionais e documentais, séries para TV e curtas-metragens. 

Recebeu prêmios em festivais no Brasil e no exterior, entre eles cinco prêmios de Melhor Direção de Fotografia concedidos pela Associação Brasileira de Cinematografia (ABC). Dentre os filmes em que atuou como Diretor de Fotografia destacam- se "Vento na Fronteira”, em parceria com Laura Faerman, e "Bob Cuspe," de César Cabral, longa-metragem de animação premiado no Festival de Annecy, além de outros

Luis Ludmer é mestre em Cinema (Vancouver Film School, 2009) e doutor em Projeto, Espaço e Cultura (FAU-USP, 2019). Há 20 anos atua como curador e produtor cultural independente. Como produtor executivo, alguns de seus trabalhos de destaque são o documentário de longa-metragem "Vento na Fronteira"; série Pomos da Terra - Vandana Shiva, Cameron Sinclair, Enrique Peñalosa (3 episódios de 16 minutos), Dan Dan - Japão Pop no Brasil (documentário de 52 minutos). Dirigiu e roteirizou a série documental Palavras Permanecem (Canal Curta, 2018) e produziu a mostra de cinema  e workshop Paixão de Memória, com a presença do documentarista chileno Patricio Guzmán (2017), Cine Belas Artes e Cine Sesc. É membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e professor convidado de estudos latino-americanos na Universidade de Bremen (Alemanha). 

Daniela Castro atua como artistescritora e curadora experimental desde 2006. Seus trabalhos se desdobram em exposições, textos estéticos, escrita experimental, leituras performativas, traduções, cursos de história da arte e crítica da cultura visual e cursos de escrita. É também membro fundadora da banda musical Deleuze Was Wrong (DWW). Graduou-se na Universidade de Toronto, no Canadá, com estudos complementares na Universidade de Hong Kong. É Mestre pelo Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da UDESC na linha de Processos Artísticos Contemporâneos. Atualmente é doutoranda do programa de Psicologia Clínica da PUC-SP, sob orientação de Suely Rolnik. Seus trabalhos já circularam por mais de 20 países.

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